sábado, 7 de agosto de 2010

Abrindo a Janela com Suzana Barelli


Sempre ouvia falar da Suzana Barelli, não só como profissional, mas também da pessoa que ela é, e realmente quando a conheci fiquei de cara encantada com ela, que além de ser diretora de redação da Revista Menu é a super mãe da Gigi. Tive o prazer de fazer uma entrevista com essa personalidade do mundo do vinho.

Nome:
Suzana Barelli

Formação:
Jornalismo pela Faculdade Cásper Libero, e Ciências Sociais, pela USP

Como e quando entrou para o mundo dos vinhos:
A minha chegada ao vinho mostra que a vida dá sabias voltas. Em 1994, eu trabalhava na Folha de S.Paulo como repórter de economia. Com o Plano Real, a diretoria do jornal resolveu investir nas reportagens de comportamento e estilo de vida – a aposta era que as pessoas não comprariam mais o jornal para conferir a inflação e o índice diário de reajuste da caderneta de poupança e que procurariam o jornal para outras informações. Um jornalista de cotidiano chamado Kike da Costa, sugeriu que a Folha criasse uma página de domingo chamada “Pecados do Capital”. A idéia era reportagens do mundo da economia brincando com os pecados capitais: gula, preguiça, cobiça etc. Uma dica de restaurante de um empresário virara uma matéria com a retranca “gula”; uma viagem legal de um executivo, ir para “preguiça”; uma frase malvada, para “ira” e assim por diante. Nunca entendi muito por qual razão que me pediram para escrever esta página. No começo, achei muito estranho, depois soube que a avaliação é que o meu texto era mais solto, não tão “economês”. E assim eu, uma filha de um economista ligado ao mundo sindical e acostumada a tomar cachaça e que nunca tinha provado um champanhe brut, comecei a escrever sobre estilo de vida e...

... gostei. Como nesta época também começava a chegar com força os vinhos importados, eu comecei a escrever mais sobre o tema. Tinha notícia, informação e uma jornalista está sempre correndo atrás de informação. Lembro de um “furo”, que foi a abertura do primeiro escritório da Veuve Clicquot no Brasil – hoje, este é o champanhe mais vendido no país. Como gostei do assunto, decidi aprender mais, fiz os cursos básicos e avançados de vinho na ABS-SP. Ia estudando (e provando vinhos), mas ainda tinha dúvidas se eu queria escrever de vinhos ou de economia. Mudei de emprego, fui para a revista Carta Capital e voltei a focar na economia. A aposta definitiva no vinho veio na virada de 1999-2000, quando fui chamada para participar da equipe que lançaria o jornal Valor. Aí decidi que queria ficar mesmo neste mundo de Baco. Depois do Valor, trabalhei na Prazeres da Mesa e hoje sou diretora de redação da Menu e me defino como uma jornalista especializada em vinhos.

Hobbies:
Até hoje não sei se o vinho é hobby ou profissão. Gosto muito de ler, de viajar e de ir a restaurantes e isso sempre pede a companhia de uma taça de vinho. Atualmente, ir ao parque nos finais de semana com a minha filha pequena é um dos meus hobbies favoritos.

Filme:
Como o assunto é vinho, o filme é Sideways, que mostrou que o vinho não é um bicho de 7 cabeças.

Uma Viagem:
Um dia, entrevistando o Paul Hobbs, enólogo que trabalhou com o Catena no início de renascimento dos vinhos argentinos, ele contou da aventura de cruzar a Cordilheira dos Andes de carro. A história me marcou e, no final daquele ano, meu marido, eu e mais um casal de amigos fomos de carro do Brasil para o Chile. Foram 10.500 quilômetros em 1 mês. A viagem foi bárbara. Não imaginava que a Argentina fosse tão bonita (sabia que o Chile era um país lindo, com várias paisagens, mas o interior da Argentina também é muito interessante). E cruzar a cordilheira, principalmente pelo norte da Argentina, é uma experiência única. Além do lado pessoal, esta viagem me ajudou a entender muito mais dos vinhos dos dois países, e a força da cordilheira para moldar estas bebidas.

Dica de Restaurante:
Nesta semana, é o Ici Bistrô, que comi um cordeiro maravilhoso lá recentemente. Mas tem tanto lugar legal...

Um vinho especial:
Château Margaux, muitas vezes definido como o vinho mais feminino entre os grandes Bordeaux (e é mesmo) e o Vinha Maria Tereza, um tinto do Douro, Portugal, de vinhas quase centenárias, com cepas misturadas, plantadas quando a Maria Tereza nasceu. Nem sei se ela ainda está viva, mas a última vez que soube, tinha mais de 90 anos. Além do vinho em si, o vinhedo da Maria Tereza tem uma vista maravilhosa, para o rio Douro. É um pedaço do paraíso na Terra.

Dica para quem está entrando para o mundo dos vinhos:
Vinho é litragem, como gosta de afirmar o Jorge Lucki (que é um dos meus ídolos neste mundo). Ou seja, é preciso estar sempre provando e prestando atenção no que está bebendo. Se vc tomou um cabernet sauvignon chileno e gostou, na próxima vez, tome um outro cabernet sauvignon, mas de outro país. E tente lembrar dos aromas e sabores do primeiro vinho e comparar com o que você tem na taça. Na outra oportunidade, prove outro vinho chileno, que não o cabernet sauvignon. E assim por diante. É comparando, prestando atenção e tomando nota que se aprende sobre os vinhos. E, melhor, dá para fazer isso de uma maneira agradável, com os amigos, se divertindo.

Um vinho de até R$50,00:
Casilleiro Del Diablo tinto. A Concha Y Toro é uma grande produtora de vinhos chilenos, que sabe moldar bem os seus vinhos nas diversas faixas de preço. O Casilleiro é um belo vinho para o seu valor.

Vinho é...
 uma bebida que sabe surpreender e que eu adoro...


Suzana, mais uma vez super obrigada!

Um comentário:

  1. Sil,
    tá ótima de entrevistadora! Além da conversa com a Suzana, adorei descobrir o enodeco no seu blog.
    beijo, Sofia

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