quinta-feira, 30 de junho de 2011

Abrindo a Janela com Guilherme Côrrea


Fiz uma entrevista com Guilherme Côrrea (fotinho acima em um vinhedo da Borgonha), consultor técnico da importadora Decanter. Recentemente ele ficou entre as 10 personalidades do vinho em uma eleição promovida pelo blog enoeventos! Além disso conquistou o prêmio de Melhor Sommelier Brasileiro em 2006 e 2009, ficou em 3° lugar no concurso de Melhor Sommelier das Américas, e foi eleito o melhor sommelier brasileiro pela revista Meininger´s Wine Business International ....ufa!!! Mas tantos prêmios são merecidos, Guilherme entende e muitooo de vinho e o melhor fala de vinhos em um vocabulário que nós seres mortais entendemos tudo e faz com que ficamos ainda mais interessados no assunto, não usa aquele linguajar que só os que estão no mundo do vinho entendem, rs!!!
Confiram algumas dicas e curiosidades do Guilherme:

Nome: Guilherme Corrêa


Profissão: Sommelier

Quando e como entrou para o mundo do vinho? Bem novinho, com 18 anos me apaixonei pelo vinho numa viagem para aprender alemão no sul da Alemanha, em Freiburg. Decidi que quando voltasse ao Brasil, iria freqüentar um curso de vinhos. Ao realizar este curso introdutório em 1991 tive aquela sensação: “descobri minha vocação, descobri o que mais gosto de estudar na vida”. Me formei em Economia em 1994, guardei meu diploma e fui estrear a profissão de sommelier em Minas Gerais.

Lugares em que já trabalhou: Comecei a minha caminhada em uma delikatessen muito famosa em Belo Horizonte naquela altura, a Casa do Whisky. Depois estreei a profissão de sommelier no estado de Minas no Vecchio Sogno, onde fui sommelier e sócio até 2001, sempre em BH. Trabalhei paralelamente neste período como representante da importadora Expand por 2 anos (1996 e 1997) e da importadora Mistral por 1 ano (1999).

Há quanto tempo está na Decanter? Desde 2002 trabalho com a Decanter, tenho uma participação nos negócios da empresa em Minas Gerais, e sou consultor técnico da empresa. Admiro muito o Sr. Adolar e sua família, proprietários da Decanter, pessoas de máxima competência e honestidade. Conseguimos juntos transformar em 10 anos a pequena empresa de Blumenau na segunda maior importadora de vinhos do Brasil, dentro do seu foco de mercado (consumidores finais, restaurantes, hotéis, etc.).

O que deve-se fazer para se tornar um sommelier? Um bom curso de formação como o da ABS (Associação Brasileira de Sommeliers). Para aqueles que podem investir um pouco mais e têm tempo disponível, um curso no exterior traz uma bagagem muito rica de conhecimento e experiência. Sugiro neste caso o da AIS (Associazione Italiana Sommeliers), onde me formei, que é considerada a melhor escola de sommellerie do mundo.


Como é o trabalho de um sommelier? Um sommelier que trabalha em um restaurante na Europa (no Brasil as atribuições variam muito de empresa para empresa) deve gerenciar a “empresa bebida” dentro da “empresa restaurante”, ou seja, deve cuidar de todos os aspectos relativos às bebidas alcoólicas (vinho, outros fermentados e destilados), água, café, chá e, às vezes, até dos charutos. Estes aspectos incluem as compras, armazenagem, marketing, precificação, controle de estoque, carta de vinhos/outras bebidas, serviço, harmonização, treinamento da brigada, etc. Cada aspecto se desdobra em muitos outros, por isto é tão complexo o trabalho de um sommelier moderno. Hoje é imprescindível a abertura de um empreendimento de alta gastronomia na Europa, nos EUA ou na Ásia sem a presença de um experiente sommelier.

Dica para quem quer se tornar um sommelier: Um bom sommelier tem que gostar muito de ler, de lidar com pessoas, de estudar línguas estrangeiras e de ser um apaixonado pelo vinho e pela gastronomia.

Hobbies: Comer, beber, viajar, tocar guitarra, acompanhar o futebol, e, antes de tudo, curtir a esposa e o filho.

Dica de restaurante: Impossível citar apenas um restaurante no Brasil entre tantos amigos e clientes. Vou então falar de alguns restaurantes que me encantam lá fora, alguns sofisticados, outros simples e ultra típicos: Don Alfonso 1890 na Campania (Itália), La Frateria em Cetona na Toscana (Itália), Il Leccio em Montalcino (Itália), Chapon Fin em Bordeaux (França), Hostellerie des Clos em Chablis (França), Chez Guy em Chambertin (França), Portobello em Madrid (Espanha), Cervejaria Ramiro em Lisboa (Portugal), Tamarind em Londres (Reino Unido), Rules em Londres (Reino Unido), Locanda Locatelli em Londres (Reino Unido), Astrid e Gaston em Santiago (Chile), entre tantos outros que me vêem à cabeça...

Um livro: Making Sense of Burgundy do Matt Kramer, que na época mudou minha concepção de vinhos e colocou fogo na minha paixão por vinhos de terroir.

Um vinho especial e porque? Brunello di Montalcino de Gianfranco Soldera. Gianfranco foi meu grande mentor, convivemos bastante quando morei na Toscana, e me mostrou um mundo do vinho que é totalmente diferente do que é divulgado na imprensa internacional. Seu vinho é o mais puro do mundo, o que mostra com mais força e emoção a “voz de um terroir espetacular”.

Um bom vinho por menos de R$50,00: Sem dúvida o Caldas 2008 do Alves de Sousa, o embaixador dos vinhos elegantes do Douro e de Portugal. Um tinto harmônico, típico, gastronômico e simplesmente delicioso!

Dica para quem está entrando para o mundo dos vinhos: Ler e degustar, é preciso que os dois caminhem juntos. Formar uma turma de amigos no mesmo nível de conhecimento, e dividir garrafas e emoções, é a melhor forma de aprender.

Vinho é... viajar através dos nossos sentidos para um lugar carregado de história e tradições, único em sua geografia, geologia e mesoclima, e que apenas ele em todo o planeta pode gerar um vinho assim...



Agradeço ao Guilherme pela disponibilidade em responder as perguntas, ser tão prestativo e a querida Fernandinha Fonseca que também ajudou a fazer esse post.




Bjs

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